Logomarca, por quê?

No Brasil, de uns anos para cá, o termo logomarca passou a galvanizar o universo da identidade visual e muitos dos envolvidos em sua dinâmica. Nesses meios, logomarca passou a ser sinônimo de símbolo e de logotipo, designações que as primeiras gerações de designers gráficos aprenderam a usar e que ainda vale para qualquer país em que a atividade tenha atuação significativa.

Na verdade, logomarca é uma dessas criações tipicamente brasileiras. Mas não está correto utilizar essa expressão. Para compreender melhor, entenda o sentido dos termos símbolo, logotipo, marca e logomarca para buscar definir seu significado com mais precisão.

Símbolo gráfico é o sinal a cujos conceitos se chega através de associações sucessivas. Símbolos gráficos são diferentes de signos gráficos. O signo gráfico é um sinal que possui apenas um conceito ou significado. Uma seta indicativa de direção não traduz senão a direção para a qual aponta. Já símbolos gráficos, como a cruz, o símbolo da Volkswagen ou da IBM remetem a uma série de significados que se superpõem, num longo encadeamento. A cruz remete a Jesus, a cristianismo, a perseguição, a martírio, as cruzadas, a poder religioso, ao estado do Vaticano, a virgem Maria, etc. O símbolo da Volkswagen remete a indústria alemã, a qualidade, resistência. O símbolo da IBM remete a tecnologia de ponta, a indústria da informática, a computador pessoal, a Paul Rand, etc. Esse caráter polissêmico e aberto está na base da definição de qualquer símbolo, seja qual for sua natureza.

O logotipo, por sua vez, é um símbolo constituído por uma palavra graficamente particularizada que, portanto, também gera associações sucessivas. No contexto do design gráfico, símbolo e logotipo pertencem a mesma categoria e cumprem a mesma função através de possibilidades formais diferentes: o primeiro através de estruturas abstratas, pictogramas, ideogramas ou fonogramas, o segundo através de uma palavra a qual se confere tratamento gráfico especial, de maneira a torná-la única entre tantas. E, um e outro, despertam associações sucessivas em virtude da natureza de sua estrutura.

Já, marca, vem a ser o nome da empresa ou do produto, a designação que define uma personalidade, um conjunto de ações de comunicação junto ao público, interno e externo. O símbolo e o logotipo são formas de grafar aspectos da marca, de torná-los visualmente tangíveis. É comum as pessoas trocarem símbolo por marca. Diz-se frequentemente: a marca da Coca-Cola ou da Fiat, quando, na verdade, a intenção é a referenda ao logotipo da Coca-Cola ou da Fiat. O mesmo acontece com os símbolos, que também são confundidos com marcas. Menciona-se a marca da Volkswagen ou da Mercedes- Benz, quando o que se quer dizer é símbolo.

E logomarca? Qual seria o sentido dessa invenção brasileira?

Logomarca não quer dizer absolutamente nada. E possível que seu inventor estivesse, ao criá-la, querendo dar conta daquelas situações em que o núcleo da identidade visual da empresa repousa num sinal misto, no qual símbolo e logotipo se combinam na veiculação de uma dada imagem.

Portanto, lembre-se sempre, o correto é usar o termo certo e assim conquistar ainda mais credibilidade às suas apresentações e impressões gráficas.

Fonte: Escorel, Ana Luisa. O efeito multiplicador do design. Editora SENAC. São Paulo. V 3. Págs. 56-58

 

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