Pulverização da atenção: como trabalhar nesse contexto?

A pulverização da atenção sempre foi um desafio e um fator gerador de complexidades para a comunicação. No ambiente cultural atual, denominado digital, existe um pormenor que se refere ao ato das pessoas estarem em um movimento de múltiplas conexões e da infinidade de mensagens que circulam nos mais diversos ambientes.
A necessidade de estar conectado, de fazer parte de um ambiente (ou de vários), acaba por gerar um caos no cotidiano dos seres humanos e até mesmo um problema de ordem social, pois um conjunto de pessoas, expostas a uma infinidade de mensagens e estímulos, acaba por contribuir para uma maximização da cultura do excesso. Nesse ambiente, as pessoas anseiam por mais informação, por mais conexão, por fazer parte de um número cada vez maior de ambientes e plataformas, e se relacionar com uma diversidade de pessoas.
O limiar da pulverização da atenção tem uma ótica tanto sociológica quanto psicológica, pois se trata de um evento que tem implicações muito profundas e que não é pontual, e sim se apresenta de uma forma contínua e intensa. Apesar de tal implicação existir, em função do foco deste artigo e da profundidade que o viés sociológico/psicológico exige, a mesma não será discutida nesse texto.
Dentro desse contexto, cabe uma reflexão de como as organizações percebem e compreendem as características desse ambiente. Observa-se que, em um universo onde obter a atenção das pessoas é uma iniciativa cada vez mais complexa, a necessidade de se trabalhar em pontos de contatos alternativos, diferentes, de testar formatos de comunicação, é algo que pode determinar o sucesso de um esforço mercadológico.
Para que uma marca consiga trabalhar nesse ambiente pulverizado, deve-se buscar estabelecer uma abertura com os agentes de relacionamento, leia-se aqui não somente os clientes. Essa abertura facilita a comunicação com as pessoas, desenvolve um ambiente que aproxima e que faz com que as pessoas falem, conversem e troquem informações com a marca e com outras pessoas.
As redes sociais, por meio de suas plataformas na internet, contemplam essa lógica de interação. Porém, para as marcas entrarem ativamente nesse meio precisa-se ouvir muito mais do que falar, precisa-se testar, verificar em que pontos de contato ou em quais espaços as pessoas se encontram. Há casos, por exemplo, no B2B, que a entrada de uma marca nesses espaços exige ainda mais planejamento, critério e uma lógica de atuação muito mais assertiva e coerente. A criação de conteúdo, a interatividade e todo o seu potencial compreende um processo delicado, que exige estrutura profissional, exige parceiros de negócios e um background/suporte de visão por parte dos negócios e gestores envolvidos.
Quando uma marca quer entrar nessas plataformas simplesmente para ter um espaço, sem ter um objetivo concreto e um plano, corre-se o risco de não se conseguir desenvolver algo coerente, que chame a atenção, que potencialize o relacionamento da marca com as pessoas. Dada à questão de pulverização da atenção das pessoas, tal iniciativa não irá captar a atenção, e a interatividade, tão buscada pelas empresas, não irá ocorrer.
Por fim (se é que se pode dizer que essa discussão termina por aqui), as marcas devem refletir sobre a sua atual ou futura atuação em espaços digitais. Deve-se ter em mente que o que se faz lá, o que ocorre nas plataformas digitais, reflete e tem repercussão no “mundo off-line”. Como autor, não sou adepto do uso da expressão off-line, pelo simples motivo de que a convergência entre meios, plataformas, ambientes deve ser algo natural e preconizado por toda e qualquer organização que ouse se comunicar no contexto contemporâneo atual.

Por: Jeferson Luis Feuser

Fonte: http://www.mundodomarketing.com.br/artigos/jeferson-luis-feuser/27485/pulverizacao-da-atencao-como-trabalhar-nesse-contexto-.html. Acesso em: 08/05/2013

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